9 novidades de outubro que mostram que o LinkedIn virou plataforma de negócios
Por muito tempo, o LinkedIn foi visto como o lugar do currículo, aquele perfil que a gente só atualiza quando está procurando o próximo emprego.
Em outubro, a plataforma soltou nove recursos novos ou de volta, e eu analisei um por um com a mesma pergunta: a quem isso serve?
A resposta saiu quase unânime, porque praticamente todos servem a quem cria conteúdo, cuida de relacionamento e gera negócio, e quase nenhum foi pensado para quem procura vaga.
Quem busca recolocação continua tendo espaço ali, só que o centro de gravidade mudou de lugar, e quem vende alto valor B2B precisa entender o que está sendo construído.
O LinkedIn para empregos ficou para trás, e o LinkedIn para negócios está sendo montado peça por peça, na frente de todo mundo.
A seguir estão as nove peças, com o que cada uma é, para quem já está disponível e o que eu faço com ela no dia a dia.
O comentário fixado voltou
Na atualização de 15 de outubro, a plataforma devolveu ao autor o poder de fixar um comentário no topo da conversa, inclusive o de outra pessoa, e a liberação chega às contas aos poucos.

O comentário fixado é a segunda coisa que o leitor vê, logo depois do seu texto, e é ali que mora a próxima ação dele.
Eu uso de três jeitos: fixo a instrução do material quando o post oferece algo em troca do comentário, ou fixo o comentário da audiência que mais acrescentou.
O terceiro uso é o complemento que não coube no post, como a fonte de um dado, que dá credibilidade sem pesar o texto.
O que eu evito é transformar esse espaço em vitrine de venda em todo post, porque a audiência percebe rápido e o efeito se inverte.
Fonte: anúncio oficial do LinkedIn
Notas privadas no perfil
Agora dá para escrever uma anotação de até 500 caracteres no perfil de cada conexão de primeiro grau, e só você vê o que escreveu.
O recurso está disponível para quem assina o Premium Business ou o Premium All-in-One.

Para quem faz social selling, isso é um CRM de relacionamento dentro da própria plataforma, porque a memória é a primeira coisa que falha quando você conversa com muita gente ao mesmo tempo.
Em cada contato que importa, eu anoto onde nos conhecemos, o que conversamos, o problema que a pessoa quer resolver e a data combinada para retomar.
Na mensagem seguinte, abro lembrando do que ela me disse, e é esse detalhe que transforma abordagem em relacionamento.
Fonte: Central de Ajuda do LinkedIn
A aba Monetização apareceu
A aba faz parte do painel do criador, anunciado em 15 de outubro, que junta o desempenho dos posts, a audiência e as formas de ganhar dinheiro com conteúdo, com liberação mundial e gradual.

O recado é direto: a plataforma quer que quem produz conteúdo ganhe dinheiro lá dentro, e hoje existem quatro caminhos à vista.
O Marketplace de criadores conecta marcas a criadores, com critérios de 12 publicações em 90 dias, 5 mil seguidores e 45 mil impressões no período, e o acesso é por convite.
As parcerias com marcas permitem que a empresa pague para impulsionar o seu post, que continua assinado por você e aparece como parceria.
Os anúncios antes dos seus vídeos dividem parte da receita com o criador, num teste que por enquanto roda nos Estados Unidos.
As sessões de consultoria pagas juntam agenda, pagamento e chamada no próprio perfil, por ora só nos Estados Unidos e para o Premium Business.
Ver a aba ainda não significa ter acesso a tudo, já que boa parte dessas portas segue fechada no Brasil.
Fontes: anúncio oficial do LinkedIn e ValueYourNetwork
A plataforma vai premiar constância e audiência qualificada, e quem constrói isso agora chega pronto quando as portas abrirem por aqui.
Um feed só da sua rede
A plataforma testa uma aba separada do feed principal, com publicações apenas das suas conexões e de quem você segue, sem as recomendações do algoritmo.
O teste começou nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Índia e na Austrália, ainda sem data para o Brasil.

Se esse feed chegar aqui, uma decisão que muita gente toma no automático passa a pesar muito mais: quem você aceita como conexão.
Nesse feed, quem te lê é a sua rede e mais ninguém, então uma rede cheia de gente fora do seu mercado entrega o seu conteúdo para quem nunca vai comprar de você.
Por isso eu trato a rede como um ativo, aceito e convido pensando em quem decide no meu mercado, e reviso de tempos em tempos quem já não faz sentido.
Fonte: anúncio oficial do LinkedIn
Consultoria paga pelo seu perfil
O recurso se chama Advice Sessions e junta agendamento, pagamento e chamada de vídeo dentro da plataforma.
Por enquanto vale só nos Estados Unidos, para quem assina o Premium Business, e outros mercados devem vir depois.

A notícia mostra que a plataforma assumiu uma coisa que eu vejo há anos: para muita gente, o conteúdo já funciona como consultoria, a pessoa lê, confia e quer conversar com quem escreveu.
Quando o recurso chegar ao Brasil, quem já tiver autoridade construída sai na frente, porque ninguém agenda uma sessão paga com um perfil que não deixa claro que problema resolve.
O trabalho de hoje é deixar o perfil dizendo para quem você é e o que você destrava, e publicar o que prova isso.
Fonte: anúncio oficial do LinkedIn
Cartão de visita dentro do LinkedIn
A plataforma anunciou um cartão digital personalizável, que fica salvo na carteira do celular para mostrar na hora, em evento ou reunião, com liberação prevista para os próximos meses em todos os mercados.

Quem vive de networking presencial sabe o destino do cartão de papel, que vai para o bolso e quase nunca vira conversa.
Com o cartão digital, a pessoa aponta a câmera e cai no seu perfil no mesmo minuto, e aí mora o ponto: ela vai ler o seu perfil enquanto você ainda está na frente dela.
Se a foto, o título e o Sobre não dizem com clareza quem você é e o que resolve, a melhor conversa do evento termina numa conexão sem contexto.
Fonte: anúncio oficial do LinkedIn
Marcas vão buscar criadores pela audiência
O Marketplace de criadores ganhou filtros por setor, função e senioridade da audiência, além do formato de conteúdo e da participação no programa Top Voices.
O acesso ainda é por convite e está restrito à América do Norte.

O detalhe que importa está no filtro, porque a marca vai procurar quem fala com o público dela, e o número de seguidores perde força nessa conta.
Para quem produz conteúdo B2B, a régua muda: uma audiência menor, formada por diretores e decisores de um setor, passa a valer mais do que uma audiência grande e genérica.
Quando o recurso chegar ao Brasil, a pergunta que as marcas vão fazer sobre você é simples: quem te lê?
Essa resposta se constrói hoje, no tema que você escolhe, nas conexões que aceita e nas conversas que puxa.
Fonte: LinkedIn Marketing
O LinkedIn vai pagar por vídeo
O formato se chama In-Stream Ads e divide com o criador a receita do anúncio que roda antes do vídeo.
O teste é com criadores e anunciantes selecionados nos Estados Unidos, e a divisão da receita não foi divulgada.

A leitura que eu faço vai além do dinheiro, porque quando uma plataforma começa a pagar por um formato, ela está dizendo qual formato quer ver mais.
Para quem vende para empresas, o vídeo faz o decisor ver o seu rosto, ouvir a sua voz e entender como você pensa antes da primeira reunião.
A conversa já começa com confiança, e você não precisa de estúdio para isso: um minuto bem pensado, gravado no celular, explicando um problema que o seu cliente vive, já faz esse trabalho.
Fonte: LinkedIn Marketing
Post em colaboração
O recurso foi lançado em julho e ainda passa despercebido por muita gente, apesar de permitir publicar um post com até cinco coautores.
O post aparece no perfil de cada um que aceitar o convite.

Para quem usa a plataforma para gerar negócio, esse é um dos recursos mais subestimados que existem hoje.
Um post em colaboração com um cliente vira prova social assinada pelos dois, e chega à rede dele, que costuma ser formada por gente parecida com quem você quer atender.
No celular, toque em Publicar, escreva o post, toque na seta ao lado da sua foto, escolha Adicionar colaboradores, selecione as conexões, salve e publique.
No computador, o caminho começa em Iniciar uma publicação, com o botão Adicionar colaboradores logo abaixo do texto.
O post precisa ser público, cada colaborador tem que aceitar o convite e o botão pode ainda não ter aparecido para você, já que a liberação acontece aos poucos.
Combine antes com quem você vai convidar, porque convite de coautoria sem conversa prévia tem cara de abordagem, e a ideia aqui é justamente o contrário.
Fonte: Central de Ajuda do LinkedIn
O que fazer esta semana
- Abra o seu perfil com os olhos de quem acabou de te conhecer. Leia a foto, o título e o Sobre como um estranho leria num evento.
Se em dez segundos não ficou claro quem você atende e que problema resolve, ajuste antes do próximo evento, porque o cartão digital vai mandar gente direto para ele.
- Escolha três contatos importantes e escreva o que sabe de cada um. Onde vocês se conheceram, o que a pessoa quer resolver e quando faz sentido retomar.
Se você já assina o Premium Business, isso vai na nota privada, e se ainda não assina, o exercício mostra se o volume de relacionamentos justifica a assinatura.
- Grave o seu primeiro vídeo de um minuto com este prompt. Cole no ChatGPT, no Claude ou no Gemini, preencha os colchetes e grave com o celular.
Você é um estrategista de conteúdo B2B.
Meu perfil: [descreva seu cargo e setor]
Meu cliente ideal: [descreva cargo, setor e porte]
Problema que eu resolvo: [descreva em uma frase]
Crie o roteiro de um vídeo de 60 segundos para o
LinkedIn com esta estrutura:
- 0-10s: gancho com o problema do cliente
- 10-45s: um insight prático que só quem vive
isso conhece
- 45-60s: convite para conversa, sem link,
sem chamada genérica
Tom: direto, sem jargão, como se fosse uma
conversa de corredor com um par de mercado.
Máximo de 150 palavras no total.
Perguntas frequentes
O comentário fixado já está disponível para todo mundo?
A liberação acontece aos poucos desde a atualização de 15 de outubro, então vale conferir nos seus próximos posts se a opção de fixar já apareceu.
As notas privadas funcionam em qualquer conta?
Funcionam para quem assina o Premium Business ou o Premium All-in-One, e a anotação só pode ser escrita no perfil de conexões de primeiro grau.
A aba Monetização significa que já dá para ganhar dinheiro com conteúdo?
Ver a aba ainda não garante acesso, porque boa parte dos caminhos está em teste nos Estados Unidos ou depende de convite.
O Marketplace de criadores, por exemplo, pede 12 publicações em 90 dias, 5 mil seguidores e 45 mil impressões no período, além da aprovação por convite.
O feed só da minha rede já existe no Brasil?
Ainda não, o teste roda nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Índia e na Austrália, sem data anunciada para o Brasil.
Vale fazer post em colaboração com cliente agora?
Vale, porque o post aparece no perfil de cada coautor que aceitar, chega à rede dele e funciona como prova social para os dois lados.
O único cuidado é combinar antes, para o convite chegar como parceria combinada e nunca como abordagem fria.
Quem escreve esta newsletter

Eu sou Raphael Cunha, CEO da WIDE Corp, Top 1 Brasil em Personal Branding no LinkedIn pelo Ranking Favikon, LinkedIn Top Voice e professor da ESPM de Personal Branding e Marketing de Influência Digital.
São +29 anos de carreira, passando por Nextel, Telecom Itália e Senior Sistemas, e +R$ 25 milhões em negócios gerados no LinkedIn com o método que eu ensino.
Pelos programas da WIDE já passaram +2.400 alunos e mentorados e +400 empresas atendidas, com cases B2B como ArcelorMittal, L'Occitane, Theoto, Dori, Probiótica e Fabrispuma.
Nove mentorados viraram LinkedIn Top Voice depois do trabalho de posicionamento.
Tudo o que eu ensino, eu rodo primeiro na minha própria operação. Esta newsletter é a prova.
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